domingo, 26 de abril de 2009

mais um que escrevi

Silêncio!
Aquela voz grita
alto:
Silêncio!
no vazio
pequeno espaço
pouquísimos metros
quadrados
brancos
escuros
lotados
de tralhas
e ratos
roupas e objetos
surrados
refletida sua imagem
pele pálida
esquálida
quase uma miragem
de repentedo espelho
passa a um tom de vermelho
luz, chama
pecado e cama
pequenos cacos
corpo destruído
passam os ratos
pelo vidro moído

quarta-feira, 22 de abril de 2009

um adendo

ah, e por acaso alguém se lembrou que dia histórico é comemorado hoje?

um desabafo... muito pessoal

Eu gostaria de um analista, um psiquiatra, um psicólogo, alguém aí?
Eu escrevo, como todo escritor, todo poeta, pra curar a dor. Um dia ganho um prêmio. Quanto mais tristeza e mágoa, mais capacidade de brincar com palavras adquiro. Pensando bem, admito minha mediocridade poética. Isso dói. Credo.
Fiz meu mapa astral no começo do ano, já soube que a paz que tanto quero não sairia nem ano que vem, mas, me pergunto: que ajuda dou à ela? não... continuo vasculhando coisas inúteis e de uma mesquinhez tão grande no passado, passado esse que dói. Dói.
Odeio relembrar ou ver que houve algo bom, odeio me deparar com uma foto que me traz lembranças, odeio ver mensagens no celular, odeio ter sido tão idiota, odeio ter me doado tanto, odeio essa mágoa que sinto cada vez que vejo uma palavra nova, odeio quem me deixou assim. Fria. Desprovida de sentimentos. Odeio aquele rosto. Enfim... odeio a mim mesma na maioria das vezes.
Escrevo porque me faz bem, escrevo porque gosto da solidão da escrita, mas gosto da companhia das palavras. Escrevo porque me revelo de alguma forma.
Eu não sou santa, não sou boazinha, não sou um monstro, mas posso ser um demônio travestido de anjo. Posso amar e odiar, posso guardar na memória, posso me esforçar pra esquecer.
Eu jamais mexi fisicamente com alguém, jamais machucaria uma barata, jamais armaria uma ratoeira, mesmo sendo os ratos os seres que mais tenho medo nesta vida. medo. pavor. horror.
Tenho medo sim, tive medo da morte, tive medo d solidão, tive medo de escuro, hoje não. Hoje durmo sozinha, gosto de estar sozinha, e não tenho muito o que deixar se morrer.
Ah, ainda sou uma idiota assumida, que lê o que não deve, e se deprime com isso, ainda sou uma tola que não entende qual o problema de se ter uma vida após um rompimento, ainda gostaria de ter laços que tive.
Mais uma vez dói, eu fui afastada de momentos que vivi, é só eu sei o quanto me senti feliz com eles, fui afastada de pessoas que não vão se lembrar de mim, mas que eu dei meu maior a elas. Fui afastada de um dia que telefonei a muitas pessoas para contar sobre uma "benção" que nem minha era. E isso continua doendo. por mais que eu fuja disso.
E deixei de acreditar em Deus, não sei, acredito na energia, não em um salvador, aqui somos nós e pronto. Acredito em algo que nem eu sei ao certo o que é, acredito em uma força vinda de algum lugar.
Evoluí, não penso mais em me matar, eu mato meus outros eus, atiro em cada um, como se fosse um nada, que na verdade o são. Continuo com meu vício em dor, aquela dor do corpo que cura a alma, mas sempre vivendo deliciosamente.
Continuo estampando o corpo, continuo vidrada nas agulhas.
Continuo obcecada em ser magra.
Continuo odiando tomar sol
Continuo a mesma, com um pouco mais de mágoa, e alma.
Nunca deixei de mostrar quem sou. Nunca vou deixar este jeito de ser. Nunca mostrei uma face e depois revelei outra.
é isso.
um desabafo (patético, mas quem não é o é?) particular.

terça-feira, 21 de abril de 2009

por mais que ela seja criticada, acredito que seja uma das melhores escritoras contemporâneas.
O escritor/poeta, é aquele que faz com que seu leitor se encontre em seus versos, em mim, ela causa este efeito. por isso basta.
eu também não necessito de regras para viver ou escrever.

retirado de "dores do amor romântico" :

Estou por um triz. De novo.
Parece, de fato, encenação.
Creio até que seja mentira
essa minha cara com esses
olhos caídos. Aprendi tal
olhar, lendo os poemas de
alguns, ou são os remédios.
Eu vinha crente que não mais
precisava disso. Disso: caneta,
papel, calmante e pijama.
Dancei muitas músicas e ri
de mim mesma. Aquela que
se repete. Eu. Eu mesma:
corpo e a cabeça cheia de
cabelos.
Meu cérebro está empapado,
do tamanho de uma barata.
Quando vou ao banheiro
e olho-me no espelho.
Quase acredito ser uma boa
atriz.
É tudo mentira!
Um batom, um perfume e
vestidos me levariam ao
shopping. A um bar. A um beijo.
O problema é que quero muitas
coisas simples,
então pareço exigente.
O problema é que sou tola e
carente,
mas não me deixo enganar,
se eu pudesse pedir só um pedido
seria: pára!
Pára esse carro em minha cabeça!
Quero descer,
estacionar,
bater num poste.
Não mais delirar,
nem sentir no corpo esse
seguir sem descanço,
atrás de sutilezas que não
podem ser descritas.


Fernanda Young

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Pérolas do metrô paulistano

Eu me estresso mas me divirto cada vez que preciso utilizar o transporte público aqui em sampa.
Essa semana estive no Itaim Bibi, andando, resolvendo tudo o que precisava ali por perto, como de costume, acompanhada do meu irmão cabeludo.
Depois de muita caminhada, pegamos o terminal bandeira de volta, lá já foi possível divertir-se com cenas cotidianas, tais como o povo se espremendo sendo que vão descer no mesmo lugar, gente caindo em cima dos outros, além das figuras que vemos diariamente no "buson".
No metrô, como pegamos a linha "curintia itaquera" (sim, ZL é nóis), resolvemos que era melhor ir até a Barra Funda e voltar, já que às 18H é impossível entrar.
Já neste outro sentido, estávamos em pé e havia um homem e uma menina sentados bem próximos a nós, conversando normalmente.
Em certa altura da conversa, foi inevitável não prestar a atenção, o cara estava contando muiiiiiiiiita vantagem, falando de Londres e blá blá blá, até que ele disse que estava aqui pra visitar a avó de 96 anos que estava nas últimas, então a menina disse que sua avó é bem jovem, 56 anos. Eis o restante do diálogo:

O cara: nossa, mas sua avó tem minha idade!
Ela: pois é, ela é bem nova
Ele: portanto você poderia ser minha neta?
Ela: rs
Ele: Será que é pecado desejar a neta?

Encostados na porta eu e Ivan: HAHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHHAHAHAA

Isso, definitivamente, ninguém merece...

quinta-feira, 16 de abril de 2009

biográfico

Um poeta, uma paixão
Apenas uma ele viveu,
em vermelho sangue,
acabou,
morreu.

fogo eterno,
esvaeceu,
do amor então
ao morrer,
se esqueceu.


Tá que eu sou uma suicida apaixonada...

terça-feira, 14 de abril de 2009

um dia bebi demais...

Eu nunca tinha bebido antes, então comecei a provar diferentes tipos de bebidas, tomei whisky, tomei rum, tomei cerveja, até que experimentei o gosto do gin... e ui! me apaixonei. Não queria mais viver sem, só pensava em sentir aquele sabor doce de novo, mas é uma bebida tão difícil de achar, digamos que somente reaparece em breves temporadas. E isso é cruel, porque eu crei uma certa dependência, um vício e vivo em constante crise de abstinência. Às vezes sonho, tenho pesadelos, já tentei pegar outros vícios como fumar, por exemplo, e nada adiantou. Então desisti... desisti de procurar, desisti de me sentir mal, enfim. Estou tentando abrir mão deste sabor viciante.

*ah, isso é um devaneio, que fique bem claro, acho que só eu entenderei...

segunda-feira, 13 de abril de 2009

no subject

estou gripada, e meu cérebro se recusa a funcionar bem enquanto isso não passa.
odeio gripe.

sábado, 4 de abril de 2009

I lie in silence and I just can't sleep

** Título: Melanie C - Good Girl
Reflexões de madrugada? sempre...
Como tenho sofrido de insônia e dormido 2, 3, no máximo 4 horas por dia, peguei hábitos noturnos bastante interessantes (não que não os tivesse antes, talvez não com essa constância), como o de ler, refletir, ouvir música, cantar, gravar a própria voz, enfim...
Tenho cantado muito as chamadas "músicas suicídio" , aquelas que quando você está na beira do poço, elas te dão um empurrãozinho... então tá. Isso passa...
Tem algumas questões nada interligadas que gostaria de colocar aqui:

- Assisti a um documentário sobre memória esta semana mesmo, "O historiador é o rei", de Marcelo Masagão, vale demais a pena. Feito a partir de fotos, trabalho de imagens, consegue concluir seu objetivo, pensar a respeito da memória, e de como, por mais que tudo marque um dia, por mais que existam histórias de pessoas comuns, trabalhadores, analfbetos, grandes líderes, ditardores, gênios, escritores, todos temos o mesmo final (No filme, o destaque é para pessoas comuns que fizeram parte da história, a maioria fictícios). A entrada de um cemitério no interior de São Paulo com a inscrição: "Nós que aqui estamos, por vós esperamos" encerra o filme. Marcelo discute no filme a banalização da morte no mundo moderno, "o breve século 20", mostrando as guerras, relatando o caso de uma família na qual 3 gerações morrem em combate, e de outras pessoas que simplesmente viveram, trabalharam e morreram. O mais interessante é nos fazer pensar a respeito da individualização presente neste mundo pós-moderno, vivemos a filosofia do "cada um por si", e as outras pessoas não são mais importantes e tão passageiras quanto o tempo. O que importa neste nosso mundo hoje é se estamos bem, trabalhando, e simplesmente vivendo, correndo contra o tempo, afinal, este hoje, é escasso.

- Devido a um trabalho fotográfico que fiz, o qual não vou citar aqui, (quem conhece, sabe) passei a pensar um poquinho mais na questão da homossexualidade, o quão importante é se assumir, o que isso significa para cada pessoa, o que a sociedade interfere nessa decisão, o que a família, a religião pensa a respeito, este é um problema com o qual convivemos todos os dias. Ok, eu estou com 23 anos e essa é uma questão que honestamente não me preocupa individualmente, essa fase já está mais que superada, e tal como a proposta do trabalho, vejo essa questão do sair do armário como "reborn" mesmo. Você se identifica com seu próprio eu e não tem vergonha ou medo dele, como costumamos dizer, "liga o foda-se" e vive a vida... o que é ao meu ver, a maior prova de auto confiança e amor próprio que se pode ter, eu jamais me esconderia por carreira, status, opinião alheia e etc... ahá, ponto positivo... eu acho.

- Estou feliz em ver como o orkut pode ser produtivo e nos possibilita às vezes conhecer pessoas maravilhosas, e algumas bastante interessantes, conheci algumas poucas através dele que valem a pena. Devido a meu interesse em poesia (por mais que eu seja ignorante quanto à tecnica, à "matemática" dela), eu conheci uma pessoa bem bacana, que ainda vou postar alguns textos dele aqui. É... o orkut é no fundo uma ferramenta bacana.

- Como discuto bastante com diferentes pessoas, de diferentes opiniões a respeito de tudo (mesa de bar, política, sexo, mulher, futebol ...rs) penso em como pode existir pessoas que achem que outras não tem nada a dizer? Vale refletir se o que você procura são pessoas que tem as mesmas opiniões que as suas, ou se simplesmente pessoas que gostam de conversar sobre diversos assuntos, complexo de superioridade muitas vezes nada mais é que uma auto-estima extremamente baixa. Confesso que já sofri desse mal, porém no lugar da superioridade era um complexo de inferioridade.
Se daqui eu partir para uma viagem talvez muito fora da casinha, eu possa dizer que isso retoma o item da individualização, afinal, só seu ponto de vista é o correto, sendo que o de ninguém é. Não existem certos ou errados, e muito menos pessoas que viveram em outras gerações, ou em outro contexto social tem opiniões melhores ou piores que outras. é por isso que temos tantos conflitos, e tantos problemas sociais, boa parte deles partem de mentes individualistas e pequenas, fechadas.

- Outra coisa que eu gostaria de colocar aqui antes de tentar dormir pela terceirz vez é: hahaha fiz uma tatuagem! (outra!), tá, tá.... isso não é nada relevante, mas isso faz parte de um estudo que estou desenvolvendo a respeito de modificações corporais e um dos pontos que me faz pensar bastante neste assunto é a questão da dor. Há um grande debate nesse meio envolvendo essa questão da representação da dor. Muitos adeptos dizem que a dor é apenas a passagem para se obter algo maior, ou que a dor corporal ajuda a superar a emocional (esta é uma das minhas jusitificativas), ou que a dor pode ser até uma forma de prazer e de gratificação (também gosto dessa!), enfim... este tema também me faz voltar às questões anteriores, mas ah... eu realmente preciso dormir...

**Acho que dos que leem (respeitando as novas ridículas regras da gramática), poucos conseguirão ler até o fim, rs...
Ótimas e reflexivas madrugadas...

sexta-feira, 3 de abril de 2009

thin line...

It's a thin line between love and hate
It's a thin line between love and hate

It's five o'clock in the morning
And you're just getting in
A knock upon the door
A voice sweet and low says(who is it?)
She opens up the door
And she lets you in
And never once does she say"where have you been?"

She says,"Hold it,
Are you hungry,did you eat yet,
Let me hang up your coat now"
And all the time she's smiling
Never raises her voice
It's five o'clock in the morning
And you don't give it a second thought

The sweetest woman in the world
Could be the meanest woman in the world
If you make her be that way
She might be holding something in
That's really gonna hurt you
One of these fine days

There you are in the hospital
Bandaged from foot to head
In a state of shock
That much from bein' dead
You didn't think your woman
Could do something like that to you
You didn't think she'd got the nerve
Accidents speak louder than words
Louder than words
Louder than words
Louder than words, come on

Come on,baby,baby
If you won't give a damn about me
Come on baby,baby
You don't really care about me

Hear what I say
Hear what I say


*Annie Lennox tem feito parte da minha trilha sonora, como sempre, porém de forma mais concreta agora. (Canto muito no trânsito infernal de Sampa)

*Estou escrevendo muito, muita coisa pra entregar, muito prazo pra cumprir, tentarei estar sempre por aqui, mas, menos presente do que realmente gostaria.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Lei de Murphy completa 60 anos

A famosa lei de Murphy está completando 60 anos agora, em 2009. Para quem a utiliza e não faz idéia de onde ela apareceu, ela surge em 1949 na Força Aérea americana. Os engenheiros haviam criado um novo teste para medir a resistência do corpo humano à força da gravidade. Um voluntário ficava amarrado a uma cadeira que era acelerada num trilho a 320km/h. Quando a cadeira atingia sua velocidade máxima, os engenheiros apertavam um botão e ela freava em menos de um segundo. Essa desaceleração violenta tinha como objetivo reproduzir os efeitos da gravidade sobre o organismo. No primeiro teste, o voluntário saiu muito machucado, com vários ossos quebrados e vasos sanguíneos rompidos. Nos meses seguintes o teste foi repetido várias vezes, sempre com o voluntário se arrebentando. Mas um belo dia, o capitão Edward Murphy Jr, que estava coordenando a experiência, percebeu que os técnicos haviam cometido um erro terrível. Os sensores haviam sido ligados ao contrário, e por isso não funcionaram - não foi possível medir a força da gravidade em nenhum dos testes. Todo o sofrimentos do voluntário foi em vão. Que beleza! Foi aí que Murphy, muito irritado, cunhou a famosa frase que viria a se tornar a lei universal do pessismismo.
Desde então, diversos estudos e experiências tentaram comprovar científicamente a lei de murphy, com resultados contraditórios. A emissora BBC e o programa Mythbusters constataram que, na prática, o pãozinho que cai da mesa tem a mesma chance de tocar o chão com a manteiga virada pra cima ou pra baixo. Logo, o seu café-da-manhã está a salvo da lei de Murphy.
Mas um estudo feito por economistas ingleses revelou que, no mercado financeiro, ela realmente existe: quando coloca seu dinheiro numa empresa nova, que ainda não conhece, o investidor tem mais chance de perder do que de ganhar. A lei também faturou o prêmio Ig Nobel, concedido a descobertas inusitadas. "Alei de Murphy nos faz rir e refletir ao mesmo tempo", diz Marc Abrahams, diretor do prêmio. "Ela ajuda a considerar o que pode dar errado, algo necessário em qualquer trabalho científico", afirma. Ou seja, é preciso pensar no pior para evitar que ele aconteça.

Fonte: Revista superinteressante - Abril 2009.

é... é legal pensar e rir um pouco da lei de Murphy mesmo.
Acho que o ideal é acreditar que o errado pode acontecer e fazer de tudo pra evitá-lo.
Apesar que, ultimamente a lei de Murphy tem permeado minha vida, rs... é impressionante como tudo fica fora do lugar. Bom, parabéns a lei, e parabéns ao início do meu inferno astral, aí sim, danou-se tudo.